Sentido da Vida

   Onde estava Deus, quando a menina caiu?
   Onde estava Deus, quando a terra tremeu?
   Onde estava Deus, quando a onda caiu sobre a terra?
   Onde estava Deus, quando Hiroshima e Nagasaki explodiram?
   Onde estava Deus, quando a bala achou alguém?
   Onde estava Deus, quando a vida se foi no seio materno?
   Onde estava Deus?
   ²Estava onde sempre esteve.
   A vida é eterna. Tudo aqui é apenas passagem.
   ³Mas temos medo da morte.
   Sofremos com a morte.
   Isso porque nos achamos fortes o bastante para matar Deus.
   ⁴E viver para morrer.
   ⁵Mas se Deus é vida, a morte é impossível.
   ⁶Nova vida.
   Quem quer?
   À disposição de qualquer ser humano.
   ⁷A vida eterna só se justifica no amor.
   ⁸A morte eterna é o ódio.
   ⁹Nos cabe a escolha.
   É o que resta por ora.
   Estaremos marcados por essa decisão.
   Um sinal indelével e eterno.
   ¹⁰Pois, de graça recebemos.
   Não pedimos para viver.
   Mas podemos aceitar a vida.
   ¹¹A semelhança nos faz diferentes.
   O que fiz.
   O que deixei de fazer.
   O que há para ser feito.
   ¹²Somente ações podem justificar uma vida.
   A omissão nos encolhe.
   A ação nos faz crescer.
   ¹³Parar e pensar não é se omitir, quando se consegue alento, para uma jornada, para um novo caminho.
   ¹⁴Quando se recomeça, sempre há esperança de mudança.
   O dia a dia nos incute esse viver, de renovação a cada manhã. 
   ¹⁵Quando anoitecer, e o dia não mais clarear, é porque chegamos lá, onde queríamos chegar.
   ¹⁶Sou eu quem decide meu destino.
   ¹⁷É a semelhança de si próprio, que Deus nos deu.
   É a liberdade que nos faz diferentes.
   ¹⁸O segredo da vida está no elo que liga o concreto ao abstrato, o transcendental ao imanente, a eternidade à temporalidade, o profano ao sagrado.
   ¹⁹Somos matéria viva, herdeira dos tempos, mas com vislumbres de eternidade.
   ²⁰Na crença católica, fomos educados a entender que a vida após a morte continua.
   Não somos apenas transitórios.
   ²¹Temos algo além da matéria, acima da vida incrustada num corpo material.
   Mas isso não nos parece óbvio.
   ²²Deveríamos viver com a certeza da vida eterna, mas a temporabilidade nos coloca constantemente diante das exigências materiais.
   ²³É preciso parar.
   É preciso pensar indivíduo a indivíduo.
   Descobrir a coletividade.
    A consciência coletiva não deve sobrepujar a consciência individual.
   Se essa última fraquejar, será o domínio da outra.
   ²⁴Mas quem formam a coletividade são os indivíduos.
   E estes, quanto mais decisivos, transferem força aos demais, para o bem ou para o mal.
   ²⁵Sempre é o indivíduo quem escolhe o caminho.
   Ninguém é mais responsável do que ele próprio, por essa escolha.
   ²⁶Por tudo isso, é preciso morrer,
para viver.
   ²⁷O fim do mundo está muito próximo, como sempre esteve.
   ²⁸A vida terrena é tempo de libertação.
   ²⁹Decorrido o prazo, se você só tiver desejos terrenos, não poderá mais perdê-los.
   Nem terá como satisfazê-los.
   ³⁰Procuram fatos extraordinários, para provar a existência de Deus.
   Mas não há prova maior do que a lógica da natureza.
   ³¹A verdadeira religião é a católica, apostólica, romana. Essa minha afirmativa é tão importante quanto o que pensa cada um dos bilhões de seres humanos que por aqui estão passando, ou passaram, ou passarão.
   ³²É a versão da verdade. Quem a transmite, falará a versão da versão. Quem a escuta, ouvirá a versão da versão da versão.
   ³³Assim, no fim, você já está julgado.
   Não pelo que aparenta ser. Mas pelo que é, como consequência de como agiu na vida.
   Não há o que esconder.
   ³⁴Seu íntimo será visível a todos.
   Eu pensei...
   Eu queria...
   Eu não tinha intenção...
   Não haverá como justificar nada.
   ³⁵Por que você é o que é.
   Assim como Deus.
   

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